Julio

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quarta-feira, 18 de abril de 2012

"Sobre todas as coisas"

Quando eu era ainda um garotinho (faz um tempinho já ) sofri horrores vítima de uma terrível culpa e o medo das consequências ... ensinaram-me que ,se não quisesse arder no fogo do inferno,com o terrível demônio e toda sua "gang" a espetar-me com seus tridentes, deveria "amar a Deus sobre todas as coisas"! Uma criança...e o que era amar pra mim? Talvez aquilo que eu sentia por meus pais,irmãos,amigos,tios,talvez isso fosse o tal amor e eu não sentia NADA disso por deus algum. Nem o conhecia , nunca houvera sido apresentado a ele, apenas vira gravuras de seu "filho" torturado ,crucificado , etc.e pensei:"vai ver que esse aí não o amou acima de todas as coisas". E eu, apesar de terrificado, não conseguia, não sabia como amá-lo, muito menos acima de tudo. Isso era terrível e assustadoramente inadmissível! Então eu tive que mentir. Menti pra todo mundo, (mais ou menos como a história do menino em "a roupa nova do rei") inclusive e principalmente pra mim mesmo. Segui mentindo até porque percebi (era o que me diziam) que se eu "acreditasse", teria inúmeras vantagens aqui e "na hora da nossa morte, amém". Proteção, favorecimentos e a tão sonhada entrada no céu...
Hoje eu não tenho mais medo de não amar a ninguém, não sou mais obrigado a amar nada que eu não queira, nem conheça, nem escolha e menos ainda, escolheram pra mim. Não me sinto ameaçado por nenhum amor não correspondido e não negocio sentimentos por interesses, portanto não tenho nada pra agradecer. Quem quiser me amar saiba que isto será uma doação. Não darei NADA em troca. Se eu der alguma coisa , será porque quis fazê-lo.Quando se chega a esse ponto , não é "necessário" acreditar em nada divino...falando nisso, ainda não sei o que é o tal "AMAR necessariamente".