Meus filhos não concordam com a maioria das minhas convicções, e isso não me deixa feliz, não me deixa orgulhoso. Isso me deixa ALIVIADO! Não lhes ensinei a pensar como eu, aliás, não ensinei meus filhos a pensar. Até tentei, confesso envergonhado, mas o que eles viram de atitude, muitas delas, talvez até e possivelmente a maior parte delas, equivocadas, levou-os a entender que precisavam ou poderiam ao menos, decidir por algo que eles acreditam ser seu próprio direito às escolhas, ainda que equivocadas, até mesmo dos SEUS próprios pontos de vista.
O que temos visto ao longo dos tempos é que aquilo que julgamos bom, justo, saudável aos nossos olhos, é o que devemos ensinar aos nossos filhos. Sim, concordo,em parte, entretanto, não podemos perder de vista que aquilo julgamos bom, justo e saudável, é o que possivelmente nos foi ensinado como tal, e podem haver distorções tanto no método, quanto no conteúdo desses "ensinamentos". O que não podemos é incorrer no erro de querermos filhos "clonados", repetidores de ritos familiares ou sócio culturais comportamentais padrão. Qual o risco disso? Uma vez que eles não entendam o valor de pensar e escolher por si mesmos, a qualquer momento em suas vidas, um novo "algoz mental" poderá influenciar suas atitudes e escolhas de modo concretamente prejudicial e você então, terá perdido seu posto de "impositor cérebro -comporta - mental" para sabe-se lá o que ou quem.
A existencia do EGO diferencia os vivos no planeta Terra. Os humanos são a única espécie, até o momento, comprovadamente possuidora dessa característica especial. Aliada à inteligencia, o ego deveria pois, ajudar-nos e não apenas diferenciar. No entanto há um seu viés que pressupõe uma insaciável necessidade de ser "alimentado" permanentemente por outro (s) indivíduos (s) da mesma e até de espécies distintas da sua própria (vide a aquisição de "pets", por exemplo! Mas isso é outro assunto).
Isso faz do humano, um dependente dessa sua característica, e em muitos casos, senão em sua infinita maioria, a própria sobrevivência dos indivíduos é dela dependente. Não estou falando de sobrevivência física, uma vez que essa também é característica de outras espécies no planeta, mas, e sobretudo, estou falando do fato de que não se supõe uma sobrevivência "independente". Aí reside a grande diferença entre uma coisa e outra coisa. Dependência psíquico-emocional cria distorções e expõe o individuo naquilo que ele tem de mais intimo e particular, que é justamente sua capacidade de "individualizar-se", e consequentemente não "depender" além do "estar vivo". A busca por aprovação, aceitação, por "fazer parte" de "grupos" físicos ou conceituais, e em consequencia a isso, tornar-se destacado ou único, é justamente o oposto do que já se traz na origem.
Você já é original, já é indivíduo, único, não precisa de ritos, repetições, padronização comprtamental- grupal para destacar-se. Ao contrário, repetições apenas anulam, aniquilam, deformam na melhor das hipóteses, sua individualidade.
Preocupo-me ao perceber, especialmente entre os mais jovens, na tão atribulada e maravilhosa " idade das descobertas", tendencias a comportamentos oriundos de "modismos" o que, se ativarmos minimamente nossa memória recente ( no meu caso não tão recente assim) é óbvio aceitarmos como normal as muitas "barcas" em que alguns de nós pulavam dentro, sem nem perguntar se haviam salva -vidas a bordo. Ok! No entanto, deixa-me sobremaneira apreensivo o fato de que algumas dessas barcas jamais voltarão a "portos seguros", e as consequências de alguns desses "naufrágios " acompanharão os incautos navegantes por toda a vida. Dirão alguns: São escolhas! Seriam de fato escolhas? Depende do ponto de vista ou nem isso. Noto por exemplo, uma retomada do hábito de fumar. Podem fumar à vontade, mas a pergunta é, encher seu corpo de substancias danosas, comprovadamente danosas e viciantes, seria de fato uma escolha conscientemente adotada? Eu não conheço ninguém que tenha " escolhido" fumar, o que quer seja fumado, que não tenha ido por esse caminho tendo sido levado por outrem, por um desejo de imitar, repetir, auto afirmar-se ou o que for. Sempre por outra mão.
Do alto do meu contraditório desejo de julgar e impor, acho que ninguém deveria adotar nenhum comportamento ou atitude apenas com a finalidade de ser "aceito". Isso não é respeito e admiração pelo(s) outro(s). Isso é desprezo, negligencia e abdicação da sua individualidade!
Não falo aqui de direito à escolha. Imposição sócio-cultural não é direito! Nenhuma imposição é direito! Voto obrigatório não é direito! "Acreditar " em deuses não tem sido direito! Nos dois últimos casos a maioria escolhe como vai cumprir seu "direito" a escolher, mas a imposição pré existe.
Há que se notar em nosso recente universo de redes sociais-comportamentais-impositivas, uma "admiração" coletiva, a respeito de quem foi sempre tratado como "minoria", " inferior", subjugado ,discriminado, etc. Julgar alguém inferior por características étnicas ou opção sexual é tão absurdo e inaceitável quanto o contrário. No entanto, quando se evidencia direitos ao ponto de transformá-los em "virtudes ", em algo admirável, sem que se especifique, sem que se deixe claro aos incautos que admirável é justamente o fato de indivíduos não abrirem mão do seu direito a serem originais, (ainda que alguns casos nem seja um "direito" e sim um aspecto que nem mesmo eles teriam "podido escolher" (etnia por exemplo), mas, e também por isso passa a ser acima de tudo um direito natural à igualdade) abre-se um precedente, que leva ao risco de uma grave distorção, uma perigosa distorção sobre o que é POSITIVO e o que é IMPOSITIVO. Ninguém deixa de ser bom, admirável, correto, exemplar ou absolutamente original por NÃO SER gay, glvbt, negro, afro, cristão, islamista, oposicionista, futebolista e o que mais seja possível incluir de "lista" nessa lista. Ninguém precisa assumir nenhum "comportamento da moda" pra ser aceito como "acima da média" ou "virar destaque" . Ninguém precisa adquirir vícios físicos ou atitudes, escolhas intimas, opção sexual ou mudar seu comportamento apenas para ser aceito. Não é porque assume uma atitude, escolha, ou direito que alguém deva ser imitado, sequer admirado, tampouco, recusado, condenado, rejeitado, diferenciado, enfim.
Note-se que o que tornaria alguém admirável seria, é, justamente assumir sua individualidade. Buscar e assumir seu direito a essa individualidade.
Ainda penso que tudo isso é tão óbvio e natural que nem deveria ser admirável .
Esse talvez devesse ser o único "direito obrigatório" !
Julio Miranda
O que temos visto ao longo dos tempos é que aquilo que julgamos bom, justo, saudável aos nossos olhos, é o que devemos ensinar aos nossos filhos. Sim, concordo,em parte, entretanto, não podemos perder de vista que aquilo julgamos bom, justo e saudável, é o que possivelmente nos foi ensinado como tal, e podem haver distorções tanto no método, quanto no conteúdo desses "ensinamentos". O que não podemos é incorrer no erro de querermos filhos "clonados", repetidores de ritos familiares ou sócio culturais comportamentais padrão. Qual o risco disso? Uma vez que eles não entendam o valor de pensar e escolher por si mesmos, a qualquer momento em suas vidas, um novo "algoz mental" poderá influenciar suas atitudes e escolhas de modo concretamente prejudicial e você então, terá perdido seu posto de "impositor cérebro -comporta - mental" para sabe-se lá o que ou quem.
A existencia do EGO diferencia os vivos no planeta Terra. Os humanos são a única espécie, até o momento, comprovadamente possuidora dessa característica especial. Aliada à inteligencia, o ego deveria pois, ajudar-nos e não apenas diferenciar. No entanto há um seu viés que pressupõe uma insaciável necessidade de ser "alimentado" permanentemente por outro (s) indivíduos (s) da mesma e até de espécies distintas da sua própria (vide a aquisição de "pets", por exemplo! Mas isso é outro assunto).
Isso faz do humano, um dependente dessa sua característica, e em muitos casos, senão em sua infinita maioria, a própria sobrevivência dos indivíduos é dela dependente. Não estou falando de sobrevivência física, uma vez que essa também é característica de outras espécies no planeta, mas, e sobretudo, estou falando do fato de que não se supõe uma sobrevivência "independente". Aí reside a grande diferença entre uma coisa e outra coisa. Dependência psíquico-emocional cria distorções e expõe o individuo naquilo que ele tem de mais intimo e particular, que é justamente sua capacidade de "individualizar-se", e consequentemente não "depender" além do "estar vivo". A busca por aprovação, aceitação, por "fazer parte" de "grupos" físicos ou conceituais, e em consequencia a isso, tornar-se destacado ou único, é justamente o oposto do que já se traz na origem.
Você já é original, já é indivíduo, único, não precisa de ritos, repetições, padronização comprtamental- grupal para destacar-se. Ao contrário, repetições apenas anulam, aniquilam, deformam na melhor das hipóteses, sua individualidade.
Preocupo-me ao perceber, especialmente entre os mais jovens, na tão atribulada e maravilhosa " idade das descobertas", tendencias a comportamentos oriundos de "modismos" o que, se ativarmos minimamente nossa memória recente ( no meu caso não tão recente assim) é óbvio aceitarmos como normal as muitas "barcas" em que alguns de nós pulavam dentro, sem nem perguntar se haviam salva -vidas a bordo. Ok! No entanto, deixa-me sobremaneira apreensivo o fato de que algumas dessas barcas jamais voltarão a "portos seguros", e as consequências de alguns desses "naufrágios " acompanharão os incautos navegantes por toda a vida. Dirão alguns: São escolhas! Seriam de fato escolhas? Depende do ponto de vista ou nem isso. Noto por exemplo, uma retomada do hábito de fumar. Podem fumar à vontade, mas a pergunta é, encher seu corpo de substancias danosas, comprovadamente danosas e viciantes, seria de fato uma escolha conscientemente adotada? Eu não conheço ninguém que tenha " escolhido" fumar, o que quer seja fumado, que não tenha ido por esse caminho tendo sido levado por outrem, por um desejo de imitar, repetir, auto afirmar-se ou o que for. Sempre por outra mão.
Do alto do meu contraditório desejo de julgar e impor, acho que ninguém deveria adotar nenhum comportamento ou atitude apenas com a finalidade de ser "aceito". Isso não é respeito e admiração pelo(s) outro(s). Isso é desprezo, negligencia e abdicação da sua individualidade!
Não falo aqui de direito à escolha. Imposição sócio-cultural não é direito! Nenhuma imposição é direito! Voto obrigatório não é direito! "Acreditar " em deuses não tem sido direito! Nos dois últimos casos a maioria escolhe como vai cumprir seu "direito" a escolher, mas a imposição pré existe.
Há que se notar em nosso recente universo de redes sociais-comportamentais-impositivas, uma "admiração" coletiva, a respeito de quem foi sempre tratado como "minoria", " inferior", subjugado ,discriminado, etc. Julgar alguém inferior por características étnicas ou opção sexual é tão absurdo e inaceitável quanto o contrário. No entanto, quando se evidencia direitos ao ponto de transformá-los em "virtudes ", em algo admirável, sem que se especifique, sem que se deixe claro aos incautos que admirável é justamente o fato de indivíduos não abrirem mão do seu direito a serem originais, (ainda que alguns casos nem seja um "direito" e sim um aspecto que nem mesmo eles teriam "podido escolher" (etnia por exemplo), mas, e também por isso passa a ser acima de tudo um direito natural à igualdade) abre-se um precedente, que leva ao risco de uma grave distorção, uma perigosa distorção sobre o que é POSITIVO e o que é IMPOSITIVO. Ninguém deixa de ser bom, admirável, correto, exemplar ou absolutamente original por NÃO SER gay, glvbt, negro, afro, cristão, islamista, oposicionista, futebolista e o que mais seja possível incluir de "lista" nessa lista. Ninguém precisa assumir nenhum "comportamento da moda" pra ser aceito como "acima da média" ou "virar destaque" . Ninguém precisa adquirir vícios físicos ou atitudes, escolhas intimas, opção sexual ou mudar seu comportamento apenas para ser aceito. Não é porque assume uma atitude, escolha, ou direito que alguém deva ser imitado, sequer admirado, tampouco, recusado, condenado, rejeitado, diferenciado, enfim.
Note-se que o que tornaria alguém admirável seria, é, justamente assumir sua individualidade. Buscar e assumir seu direito a essa individualidade.
Ainda penso que tudo isso é tão óbvio e natural que nem deveria ser admirável .
Esse talvez devesse ser o único "direito obrigatório" !
Julio Miranda